4 Macrotendências do Corporativo

4 Macrotendências do Corporativo

Durante o ano inteiro são realizados eventos, encontros, sessões e atividades sobre o mercado de viagens e eventos corporativos. Não é à toa. A indústria não para e a discussão é constante, e ainda carece de (mais) profissionalização. Os profissionais deste mercado precisam estar sempre atualizados em relação às tarifas aéreas, às particularidades hoteleiras, aos acordos corporativos, acontecimentos mundiais, oportunidades de savings, novidades tecnológicas... 

O Acte Academia Summit Rio, da Academia de Viagens Corporativas em parceria com a Associação dos Executivos de Viagens Corporativas (Acte), realizado em junho no Rio de Janeiro, foi uma dessas oportunidades e palco – literalmente – de diversos debates e demonstração de formatos diferentes para eventos possíveis neste setor.

Esse tipo de encontro é essencial também para dividir as principais tendências do mercado entre os profissionais presentes. Os 350 participantes do Acte Academia Summit puderam ter uma série de reflexões sobre o que está acontecendo no universo de eventos e viagens corporativas. Veja temas que se destacaram na edição carioca.

 

CRIAR, ENGAJAR E SURPREENDER

Todo evento é um sucesso quando se torna uma experiência única para os participantes. Criar, engajar e surpreender são requisitos essenciais no planejamento, mas ainda é comum achar que inovação é um extra, tem um custo mais alto e está somente ligada à tecnologia. Cada setor enfrenta adversidades, mas não há evento sem ter inovação. Eles precisam saber o que fazer de novo para encantar e engajar o participante.

Outro ponto importante é buscar inovação para tornar a vida dos organizadores de eventos dentro da empresa mais fácil. Mostrar que, mesmo sem ter uma gestão centralizada, é possível entregar ferramentas e artifícios para que ele faça uma gestão mais simples e mais dinâmica.

“Inovação nem sempre está atrelada a elementos tecnológicos. Pode parecer clichê, mas o principal fator é de fato atendermos o cliente na sua mais alta excelência e fazer um evento bacana, dinâmico, bem pensado. E, para isso, o cliente também precisa estar aberto às novas ideias e propostas diferentes”, afirmou o presidente do grupo R1, Raffaele Cecere.

É neste sentido que entra a importância de prestar atenção no que o cliente quer. “Ouça o seu contratante, dê um serviço personalizado. Eu, como gestora, preciso estar aberta para ouvir e o fornecedor deve estar disposto a trabalhar de forma flexível. Assim, podemos realmente inovar e fazer diferente”, explicou a especialista em viagens regionais para as Américas da Mondelez, Sabrina Hinke.

 

SERVIÇOS QUE FAZEM SENTIDO

 Atualmente, a forma de comunicação, de viajar e de se relacionar com os clientes e viajantes mudou drasticamente. Focar nos desafios e gargalos, em vez de suas necessidades, é um fator-chave para desenvolvimento de novos produtos e serviços. E nesta era digital, como as TMCs vêm acompanhando as transformações? “Ainda que existam ideias muito inovadoras e recursos tecnológicos avançados, nosso mercado é bastante defasado em várias coisas. Muitos clientes ainda perguntam o que é OBT, por exemplo, e como podem incluir dentro de seu programa”, contou o diretor de Vendas da BCD Travel, Gabriel Domingues.

É por isso que as TMCs precisam tentar incorporar essas tecnologias e levá-las ao seu viajante. Essa, inclusive, é a principal mudança na gestão: tirar um pouco o foco do gestor e levar para o viajante, já que ele é o principal decisor. É necessário trazer interesse de quem viaja para dentro do programa e mostrar que a agência se importa de verdade com ele.

Trazer o viajante para o centro é a forma mais fácil de as empresas atingirem seus objetivos de negócios. Por isso é importante incorporar essas novidades do mercado para dentro do programa de viagens e é essencial as TMCs estarem abertas a isso. Construir plataformas com os serviços que façam sentido para o seu viajante para entregar uma gestão de valor.

 

HOTELARIA MUITO ALÉM DO TRIVIAL

Sabemos que custo, categoria e proximidade já não são mais critérios exclusivos para a escolha de um hotel. Os viajantes corporativos modernos têm outras expectativas, como coworking, espaços modernos para exercícios físicos, alimentação mais saudável e quartos inteligentes.

“Antigamente, a expectativa do hóspede era uma boa cama e um bom chuveiro, mas hoje vemos um movimento em que precisamos escutar o cliente. Devemos entender exatamente quais são suas expectativas e passar a ofertar outras coisas, já que várias passaram a ser commodities, como internet e uma boa academia, por exemplo”, explicou o gerente de Operações da Accor no Estado do Rio de Janeiro, Omar Caffaro.

É neste sentido que as grandes redes hoteleiras e até mesmo as independentes precisam se atualizar, customizar as necessidades de acordo com os mercados e ouvir o que seus clientes esperam durante a estada.

E como conciliar e equilibrar os custos, investir em atrativos para os hóspedes, sem aumentar os preços finais para o viajante e para a empresa? Ter parceiros e fornecedores alinhados com os valores da marca hoteleira. Não necessariamente onerar o custo, mas, sim, trabalhar as questões da porta para dentro do hotel.

 

VIAJANTES MAIS EMPODERADOS

A influência da tecnologia vem transformando radicalmente o perfil dos consumidores, que estão cada vez mais empoderados e querem mobilidade, novas experiências, otimização de tempo, segurança, além de preço. São muitas as inovações, como inteligência artificial, realidade aumentada e internet das coisas, e as empresas estão se adaptando a esta nova voz de seus clientes.

“A TMC deve ter um BI rápido e efetivo, que responda combinado às tendências e aos dados históricos. Outra parte muito importante é o viajante, temos de olhar com muito carinho para ele e tornar sua vida mais fácil, do início ao fim. Além disso, a maneira de se comunicar precisa ser além do e-mail e telefone, precisa ser chat, 24 horas, quando ele precisar”, alertou a diretora de Operações da CWT, Priscila Neiva.

Para o passageiro de companhia aérea, as tecnologias precisam estar presentes desde a pré-reserva, até depois de descer do avião. Elas necessitam também estar adequadas ao viajante. “Esteja perto do seu cliente, saiba o que ele quer, para, aí sim, aplicar a tecnologia para ele”, afirmou o diretor de Vendas da American Airlines para São Paulo e Região Sul, José Roberto Trinca.

Já no setor da hospitalidade, a tecnologia vai além da estrutura. Os recursos tecnológicos complementam toda a jornada do hóspede, desde antes do check-in, até ele chegar em casa e avaliar sua estada no hotel. Chatbots, machine learning e inteligência artificial também são ótimos recursos para garantir que a empresa hoteleira em questão seja a melhor proposta para aquele cliente.

“Quando esse match acontece, tem um robô por trás, entregando a melhor opção de preço e custo benefício. A inovação tecnológica não está somente dentro do hotel, ela vai além, fazendo uma combinação de perfil e produto ideal”, disse a gerente de Marketing do Hilton, Juliana Nakagami.